
Caxias é, sabidamente, uma das cidades mais ricas do Maranhão, mas hoje estampa as manchetes de todo o estado por um motivo vergonhoso: o desrespeito brutal com seu próprio povo. Neste 7 de setembro, enquanto o país celebrava a independência, os professores caxienses não tiveram motivos para festa. A categoria foi às ruas em um protesto que, na verdade, foi um grito de socorro. Eles tentaram, mais uma vez, sensibilizar a gestão da família Gentil, mas foram sumariamente ignorados.
O cenário chegou ao limite do intolerável. O SINTRAP, sindicato que representa os professores, trouxe a público uma denúncia gravíssima: desde abril deste ano, as contribuições previdenciárias descontadas dos contracheques da categoria não estão sendo repassadas ao Instituto de Previdência do município. O valor retido já passa dos R$ 4 milhões. Na lei, descontar do suor do trabalhador e não repassar a quem de direito tem nome: crime de apropriação indébita.
O sindicato já avisou que vai acionar os órgãos de fiscalização com rigor, garantindo que os responsáveis não fiquem impunes ou escondidos sob documentos anônimos.
O buraco, infelizmente, é ainda mais embaixo. O que a população vive hoje é o retrato cru de uma cidade abandonada, dominada por uma família que parece governar de forma perversa, apenas para si mesma. E o colapso é geral. Além dos professores sufocados por esse descaso histórico, os médicos do município também amargam a dura realidade dos salários atrasados. A saúde e a educação de Caxias estão, de forma literal, respirando por aparelhos na UTI.
A ironia mais cruel dessa tragédia administrativa é que falta dinheiro para quem trabalha arduamente, mas sobram cifras astronômicas quando o assunto são páginas policiais. O grande líder dessa mesma família, o prefeito Fábio Gentil, que hoje vira as costas aos educadores, é investigado pela Polícia Federal por um desvio monumental de mais de R$ 50 milhões. Um dinheiro carimbado do FUNDEB, que deveria estar garantindo a qualidade do ensino e a dignidade na mesa do professor, mas que escoou de forma criminosa pelo ralo da corrupção.
Esta grave denúncia dos professores é apenas a largada para que a verdadeira face da gestão venha à tona em todo o Maranhão. Caxias não aguenta mais ser tratada como propriedade particular de um grupo sem compromisso com a nossa gente. Os educadores exigem o respeito que lhes é devido, e a cidade inteira clama, com urgência, por justiça.
