Arquivo mensais:setembro 2025

Precatórios de professores em Caxias (MA): Morosidade e falta de transparência causam ansiedade na categoria

Caxias, MA – O pagamento dos precatórios dos professores de Caxias, no Maranhão, continua gerando insatisfação e ansiedade na categoria. Apesar de uma reunião recente entre a comissão de precatórios e a Secretaria Municipal de Educação, o processo se arrasta, e a falta de informações claras levanta suspeitas sobre a gestão dos recursos.

Um comunicado interno, datado de 9 de setembro de 2025, revela que a Justiça deu um prazo de até 10 dias para que o Banco do Brasil transfira os valores de uma conta judicial para a conta da Prefeitura de Caxias. A comissão decidiu enviar um ofício ao gerente do banco para tentar acelerar a transferência, mas a demora já é vista com preocupação.
Segundo a denúncia feita por um professor, a situação é frustrante. “A juíza deu um prazo de 10 dias, mas isso não significa que o gerente precise esperar todo esse tempo. Enquanto isso, professores ficam doentes, ansiosos, e o processo não avança”, relata.

O sentimento de que algo não está certo é reforçado pela comparação com o estado. “O dinheiro caiu na conta do estado e o repasse foi feito de imediato. Aqui parece um jogo de cartas marcadas”, afirma o denunciante. A falta de comunicação do sindicato da categoria (Sintrap) e da própria comissão dos precatórios é outro ponto de tensão.

Além da demora, a falta de transparência é um dos principais problemas. O comunicado menciona que a Secretaria de Administração deveria entregar, no dia seguinte à reunião, a relação de valores para os beneficiários da segunda parcela, mas não há confirmação pública de que isso tenha ocorrido. Não foram divulgados os valores totais ou individuais, e as informações “são omitidas”, segundo a fonte.

A prefeitura de Caxias ainda não se pronunciou oficialmente sobre a lentidão no processo de pagamento dos precatórios. A ausência de justificativas para a morosidade e a falta de acesso aos dados financeiros essenciais mantêm a categoria em um estado de incerteza e crescente frustração.

Justiça Federal do Mato Grosso do Sul condena mãe do prefeito Gentil Neto por uso de documento falso; ré foge para o Maranhão

Entenda o caso:
Campo Grande, MS — Em uma decisão que acaba de transitar em julgado, a Justiça Federal da 3ª Região (Mato Grosso do Sul) condenou a ré Adriana Raquel Santos de Sousa pelo crime de uso de documento público falso. A sentença, proferida pela 5ª Vara Federal de Campo Grande, aplicou uma pena de um ano de reclusão, convertida em prestação de serviços à comunidade.

O processo, que tramita desde 2020, chegou à sua fase final, com a condenação de Adriana confirmada em segunda instância e após o Supremo Tribunal Federal (STF) recusar o recurso da defesa. No entanto, a ré, que precisaria ser intimada para iniciar o cumprimento da pena e pagar as custas processuais, não foi encontrada em seu endereço.

Segundo a certidão do Oficial de Justiça, a mulher se mudou de Teófilo Otoni, em Minas Gerais, para o estado do Maranhão há cerca de três anos, e seu paradeiro é desconhecido.

A sentença final do processo 5007440-81.2020.4.03.6000 determina a prestação de serviços à comunidade, além do pagamento de R$ 297,95 em custas processuais. O documento ainda informa a decisão aos Conselhos Federal e Regional de Medicina (CFM e CRM/MS), o que sugere que o crime de falsificação de documento pode ter relação com a área da saúde.

A prescrição do caso está prevista para 04/04/2033, o que significa que, caso a ré não seja localizada até essa data, o crime prescreverá e a pena não poderá mais ser aplicada. A guia de recolhimento foi emitida, e a Justiça agora aguarda a intimação de Adriana para que as determinações sejam cumpridas. O caso foi encaminhado para a Vara Federal de Teófilo Otoni, em Minas Gerais, para que as diligências de intimação sejam realizadas.

Manifestações marcam desfile de 7 de Setembro em Caxias contra a família Gentil

O tradicional desfile cívico de 7 de Setembro em Caxias, no Maranhão, foi palco de protestos contra a família Gentil, alvo de investigações da Polícia Federal (PF) e do Supremo Tribunal Federal (STF). O descontentamento popular foi expresso pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais de Caxias (Sintrap), que usou o evento para exibir faixas e banners com mensagens de repúdio.

Os protestos se intensificaram após a Operação A Lei do Retorno, deflagrada pela PF. A ação investiga o desvio de cerca de R$ 50 milhões de verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) no Maranhão. Segundo a PF, os principais alvos são o ex-prefeito de Caxias e atual secretário de Agricultura e Pecuária do estado, Fábio Gentil, e sua namorada, a deputada estadual Daniella (PSB). Durante as buscas, a polícia apreendeu diversos bens nas residências do casal, incluindo um cheque de R$ 350 mil.


Emendas ‘Pix’ sob investigação

A insatisfação dos manifestantes também se estendeu à deputada federal Amanda Gentil, filha de Fábio Gentil. A parlamentar é investigada pelo STF por supostos desvios em repasses de emendas de transferências especiais, conhecidas como “emendas Pix”. De acordo com os manifestantes, a maior parte dos mais de R$ 15 milhões enviados pela deputada foi destinada a Caxias, mas a falta de transparência e rastreabilidade desses recursos está sendo questionada.

Em todo o Brasil, essas emendas ‘Pix’ estão sob o escrutínio do STF, que determinou a investigação de casos onde a transparência é falha. No Maranhão, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Tribunal de Contas da União (TCU) já iniciaram a fiscalização dos municípios que receberam um total de quase R$ 1 bilhão em emendas desse tipo entre 2020 e 2024.

Os protestos em Caxias refletem o sentimento de que a cidade vive um momento de abandono e caos. Os manifestantes, representados pelo sindicato, mencionaram a má gestão dos serviços públicos, a violência e a situação caótica dos hospitais municipais, com relatos de mortes de crianças e salários atrasados de médicos. O sentimento de “vergonha” e desamparo da população em relação aos escândalos políticos foi o principal motor da manifestação durante o desfile.

Arrependida: Deputada Cláudia Coutinho Pede Desculpas por Apoio a Prefeito Gentil Neto

Cláudia Coutinho usar suas redes sociais para fazer um pedido público de desculpas.

CAXIAS, MA — Baixa política abala a base do atual prefeito de Caxias, Gentil Neto, após a deputada estadual Cláudia Coutinho usar suas redes sociais para fazer um pedido público de desculpas. A parlamentar, que foi uma das principais apoiadoras de Gentil na eleição do ano passado, admitiu ter cometido um “erro” ao endossar a candidatura do gestor, citando a “péssima administração” na cidade.

O desabafo da deputada chega em um momento de alta turbulência para a gestão de Gentil Neto. Além das crescentes críticas à precariedade dos serviços de saúde e educação, a família do prefeito foi recentemente alvo de uma grande operação da Polícia Federal. A “Operação A Lei do Retorno” investiga desvios de R$ 50 milhões e teve como alvo o ex-prefeito e tio de Gentil Neto, Fábio Gentil.

A decisão de Cláudia Coutinho de se distanciar publicamente do prefeito é um sinal de grande desgaste na aliança política que o elegeu. A deputada, que teve uma votação expressiva no município, deixa claro seu descontentamento e tenta se reconectar com seu eleitorado, que tem expressado insatisfação com os rumos da administração municipal.

Ao final de sua nota, a deputada pede perdão a Deus e a “sua amada Caxias”, mostrando o peso simbólico de sua declaração. O episódio marca um ponto de inflexão na política local e levanta dúvidas sobre o futuro da base de apoio de Gentil Neto, que agora enfrenta a crescente oposição e o desgaste gerado por investigações e críticas a sua gestão. A atitude da deputada pode influenciar o cenário político para as próximas eleições, reforçando a pressão sobre o atual prefeito para reverter o quadro de insatisfação popular.