Arquivo diários:21/08/2025

A Polícia Federal citou a deputada Daniella como ‘intermediária política’ em um esquema de fraudes na educação no Maranhão.

A deputada estadual Daniella Jadão Meneses Cunha, conhecida como Daniella, esposa do ex-prefeito de Caxias e atual secretário de Agricultura do Maranhão, Fábio Gentil, é um dos principais nomes mencionados na investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraudes em contratos milionários da educação em municípios do Maranhão. A parlamentar é apontada como “intermediária política” no direcionamento de licitações ligadas ao fornecimento de material didático com recursos do Fundeb.
O caso teve início em janeiro de 2022, quando a Polícia Rodoviária Federal apreendeu R$ 575,8 mil em espécie dentro de um carro na BR-316, em Peritoró. O veículo estava em nome de Zarle Jadão
Meneses, mãe da deputada, e era ocupado por Hugo Fabiano Roriz Menezes, parente próximo de Daniella, e por Mauro Sérgio Britto Silva. Ambos se tornaram alvos das operações conduzidas pela PF e pelo Ministério Público Federal. O flagrante foi considerado o ponto inicial, levantando suspeitas sobre a origem dos valores e desencadeando a investigação.


Segundo decisão do desembargador federal Marcos Augusto de Sousa, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), com base nas investigações, Daniella teria usado sua influência política para favorecer a empresa Pilares do Saber Ltda. na assinatura de contratos sem licitação com prefeituras maranhenses. Em troca, a parlamentar receberia percentuais dos valores pagos, repassando parte do montante a familiares.
As apurações destacam a participação direta de Hugo Fabiano Roriz Menezes, ligado ao núcleo empresarial da Pilares do Saber, e de Rogério Roriz Menezes, pai da deputada, citado como beneficiário financeiro. Esse elo familiar reforça a suspeita de que o suposto esquema misturava articulação política, empresa de fachada e repasses a parentes próximos.


Mensagens de celular analisadas pelos investigadores indicam tratativas de Daniella com prefeitos maranhenses para viabilizar os contratos. Em Santa Inês, administrada pelo prefeito Felipe dos Pneus (PP), também alvo da operação, os pagamentos à Pilares do Saber superaram R$ 575 mil em aquisições de material didático. A mesma prática, segundo a PF, teria sido replicada em outras cidades.

Com base nos indícios, a Justiça Federal autorizou mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, com a coleta de documentos, computadores e mídias digitais. O desembargador permitiu ainda o compartilhamento das provas com órgãos de controle, como a Controladoria-Geral da União (CGU), caso sejam encontrados indícios de irregularidades em novos municípios.
Documentos obtidos pelo site apontam que a deputada, seu pai Rogério Roriz Menezes e o parente Hugo Fabiano Roriz Menezes formam um núcleo familiar diretamente beneficiado pelo esquema, conforme os autos da investigação. Além do esposo, Fábio Gentil, que também foi alvo da primeira fase da operação “Lei do Retorno”.
O site tentou contato com a deputada, mas até o momento, a parlamentar não se manifestou sobre as acusações. Em nota, divulgada ainda na primeira fase da operação, Daniella afirma que não há qualquer indício de irregularidade em sua atuação parlamentar e que confia plenamente no trabalho das instituições. Afirmou ainda que sua equipe jurídica acompanha o caso de perto e está inteiramente à disposição para eventuais esclarecimentos. Por fim, afirmou que segue com a consciência tranquila e reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito ao interesse público.

Opressão em vez de independência”: Professores de Caxias protestam contra o prefeito Gentil Neto por forçá-los a pagar por uniformes de desfile

CAXIAS, MA — Funcionários da rede pública municipal de educação de Caxias, no Maranhão, denunciam uma suposta prática de assédio moral e coação por parte da gestão do prefeito Gentil Neto e da Secretaria Municipal de Educação (Semect). De acordo com os relatos, os servidores estão sendo obrigados a comprar, com recursos próprios, as blusas para o desfile de 7 de Setembro, alusivo à Independência do Brasil.

O valor dos uniformes varia entre R$ 25 e R$ 40. A cobrança é vista como inaceitável pelos educadores, que alegam estar com salários defasados há anos. “Tenho mais de 20 anos de exercício na educação e nunca tinha visto uma conduta tão indecente e imoral de uma administração pública”, desabafou um dos funcionários, que preferiu não se identificar por medo de represálias.

A denúncia aponta que o prefeito Gentil Neto exige que as blusas incluam a sua logomarca, dando a entender que o uniforme foi fornecido pelo poder público. Além disso, segundo os relatos, aqueles que se recusarem a comprar a blusa estariam sujeitos a sofrer represálias por parte da gestão.

A insatisfação dos servidores se soma a outras reivindicações da categoria, como o não cumprimento do Plano de Cargos e Carreiras. Eles afirmam que a defasagem salarial tem gerado grandes perdas financeiras, e a necessidade de arcar com os custos do uniforme agrava a situação.

Os funcionários acusam a prefeitura de tentar criar uma “imagem fictícia e mentirosa” para a população, mascarando as dificuldades reais enfrentadas pela educação no município. A situação levanta o questionamento: enquanto a cidade se prepara para celebrar a “Independência”, a categoria se sente oprimida por uma gestão que, segundo eles, os força a financiar a própria propaganda.